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Monitoramento

Baleias-de-Bryde são avistadas em Guaratuba após dez anos sem registros

Mãe e filhote foram identificados a cerca de dois quilômetros da Ponte de Guaratuba; diminuição de fontes de ruído pode ser uma das causas

Publicado em 18/08/2026 às 11:25

Baleia avistada em Guaratuba (Foto: LEC-UFPR)

Duas baleias-de-Bryde foram avistadas nas proximidades da Ponte de Guaratuba durante uma ação de monitoramento aéreo realizada no fim de julho pelo Instituto Água e Terra (IAT), em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo o órgão ambiental, a espécie não era registrada no Litoral do Paraná havia cerca de dez anos.

O avistamento ocorreu a aproximadamente dois quilômetros da ponte e surpreendeu a equipe que participava do sobrevoo. Inicialmente, os profissionais acompanhavam informações sobre a presença de uma baleia-jubarte na região próxima à Ilha do Mel, mas, ao chegarem à área de Guaratuba, constataram que se tratava de duas baleias-de-Bryde, uma mãe e um filhote.

O último registro desse indivíduo foi de mais de dez anos atrás, através do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC-UFPR), e conseguimos agora um novo registro fazendo esses sobrevoos de monitoramento ambiental de macrofauna”, explica o coordenador do setor de fauna do IAT no Litoral, Rafael Galvão.

As expedições são realizadas há cerca de um ano e integram o acompanhamento ambiental relacionado à construção da Ponte de Guaratuba. O trabalho conta com o helicóptero do Centro de Operações Aéreas do IAT e com a participação do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR.

Para Galvão, o novo registro também demonstra a importância de manter o acompanhamento da fauna durante e após a implantação de grandes empreendimentos. Os dados obtidos nos sobrevoos devem integrar os próximos relatórios do processo de licenciamento ambiental.

O avistamento dessa baleia, cerca de dois quilômetros da ponte, é algo muito positivo para nós. No processo de licenciamento ambiental é cobrado também o levantamento posterior. Provavelmente esse dado do avistamento dos dois indivíduos de baleia-de-Bryde estará nos próximos relatórios”, afirma.

O coordenador também associa a presença dos animais às alterações provocadas pela redução da operação dos ferrys boats na região. Segundo ele, houve diminuição de fontes de ruído e de potenciais lançamentos de óleo provenientes das embarcações. A relação entre essas mudanças e a ocorrência das baleias, entretanto, faz parte dos aspectos que o acompanhamento ambiental poderá ajudar a avaliar ao longo do tempo.

Mais de 60 animais registrados

As baleias-de-Bryde não foram os únicos animais encontrados durante o monitoramento. De acordo com o IAT, mais de 60 indivíduos da fauna marinha já foram identificados ao longo das ações realizadas no último ano, entre botos, golfinhos e tartarugas-cabeçudas.

A gente encontrou mais de 60 animais. Foram diversos botos, tartarugas-cabeçudas, algumas espécies de golfinhos e outros indivíduos durante o processo de monitoramento neste último ano”, relata Galvão.

Segundo ele, os levantamentos permitem ampliar o conhecimento sobre quais espécies utilizam o litoral paranaense e fornecem informações para medidas futuras de proteção.

É importante fazer esse levantamento para que a gente possa esclarecer à população quais são os animais presentes no nosso Litoral e trabalhar na conservação dessas espécies”, destaca.

A baleia-de-Bryde é uma espécie de grande cetáceo encontrada principalmente em águas tropicais e subtropicais e ainda considerada uma das baleias de barbatanas menos conhecidas cientificamente. A classificação de conservação pode variar conforme a população e a referência adotada, motivo pelo qual o enquadramento apresentado pelo IAT deverá ser detalhado nos relatórios técnicos do monitoramento.

Novas etapas do acompanhamento ainda devem ser realizadas. As informações coletadas servirão para avaliar a presença e a distribuição da fauna marinha na região, acompanhar possíveis efeitos associados à nova estrutura e subsidiar ações de conservação no Litoral do Paraná.


Fonte: Com informações da AERP

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