Produção local
Agricultura familiar leva 2,5 toneladas de alimentos por semana às escolas de Guaratuba
Produção abastece a alimentação de cerca de 6 mil estudantes da rede municipal e movimenta R$ 30 mil por semana em compras de pequenos produtores
Publicado em 18/08/2026 às 16:22
Antes de chegar ao prato dos estudantes da rede municipal de Guaratuba, parte da alimentação servida nas escolas percorre um caminho que começa nas propriedades rurais do próprio município e da região. Bananas colhidas no Cubatão, hortaliças produzidas no Limeira, mandioca, batatas, folhagens e outros alimentos saem do campo, passam pela organização da Cooperativa de Produtores Rurais do Litoral (COPRULI) e seguem para as unidades de ensino.
A cada semana, cerca de 2,5 toneladas de produtos da agricultura familiar são destinadas à alimentação escolar em Guaratuba. O investimento médio é de R$ 30 mil semanais e os alimentos chegam às 11 escolas municipais urbanas e aos sete Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).
São aproximadamente 6 mil estudantes atendidos, considerando Educação Infantil, Pré-Escola, Ensino Fundamental, Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Por trás desses números estão famílias que encontraram na alimentação escolar um mercado para aquilo que produzem. É o caso de Clarice Ubessi, que trabalha com o marido na região do Cubatão. A família vive da agricultura desde 2011, mas a relação com a produção rural começou muito antes: o esposo é filho de produtor de banana e cresceu no meio da atividade.
Atualmente, a família cultiva 9,5 hectares de banana e mantém ainda outra área destinada à pupunha. Agora, busca fazer com que a atividade atravesse mais uma geração.
“Trabalhamos em família e estamos incentivando nosso filho a continuar nossos passos”, conta Clarice.
Parte dessa produção é comercializada por meio da COPRULI, responsável atualmente pelo fornecimento dos alimentos da agricultura familiar à rede municipal de ensino.
Para Clarice, a cooperativa resolve uma das principais dificuldades de quem produz em pequena escala: encontrar mercado e condições adequadas para vender.
“A participação na cooperativa é positiva para os agricultores, pois facilita a venda da produção e garante um preço justo ao cooperado. É importante ressaltar também a importância de fornecermos alimentos saudáveis e frescos para as nossas crianças nas escolas atendidas pela cooperativa”, afirma.
Da produção à venda garantida
No Limeira, a produtora Vera Fusik também encontrou na cooperativa um destino mais estável para sua produção. Há cinco anos, ela cultiva hortaliças, frutas, palmito e banana na região e, há aproximadamente dois, passou a comercializar por meio da COPRULI.
“Para mim está sendo muito bom, porque eles repassam um valor digno para a gente”, relata.
Para Vera, o fornecimento para a alimentação escolar trouxe mais segurança para a comercialização da produção e ampliou a importância do cuidado com os alimentos entregues.
A segurança de ter para quem vender ganha importância especialmente na agricultura familiar, em que a produção está sujeita à sazonalidade e alimentos frescos têm uma janela limitada para comercialização.
Hoje, a COPRULI reúne 126 produtores cooperados que trabalham com frutas, hortaliças, legumes e tubérculos nos sistemas convencional e orgânico. Os agricultores são de Guaratuba, Tijucas do Sul e outras regiões do Paraná. Além da rede municipal de Guaratuba, a cooperativa fornece produtos para escolas estaduais e também para o Município de Matinhos.
“Isso é muito importante porque garante ao produtor segurança e certeza de comercialização da sua produção, fortalecendo a agricultura familiar”, explica Elen Menão Belieiro, do setor administrativo da COPRULI.
Para ela, existe ainda outra dimensão nesse processo: saber onde termina o alimento cultivado por essas famílias.
“É muito gratificante saber que esse trabalho chega até as crianças, levando alimentos de qualidade, produzidos pelos nossos agricultores, diretamente para a alimentação escolar.”
Cardápio acompanha o que o campo produz
Na outra ponta dessa cadeia, a Secretaria Municipal da Educação precisa transformar a produção disponível em refeições para diferentes públicos.
O nutricionista da Secretaria Municipal da Educação, Rodrigo Fontanelli, explica que os alimentos da agricultura familiar entram no planejamento alimentar de todas as faixas etárias atendidas pelo Município. Isso exige cardápios diferentes para bebês, crianças, estudantes do Ensino Fundamental, alunos da jornada ampliada e da EJA.
“Elaboramos cardápios específicos para cada faixa etária, desde crianças de 0 a 6 meses, 6 a 12 meses, crianças a partir de 1 ano, Ensino Fundamental, jornada ampliada e também para o EJA”, explica.
Nesse planejamento, o calendário agrícola também entra na conta.
“Sempre priorizamos os hortifrútis sazonais, respeitando a época de produção e a capacidade da agricultura familiar, garantindo variedade, qualidade e equilíbrio nutricional nas refeições”, acrescenta.
Entre os produtos de maior consumo estão banana, mandioca, batatas e folhagens. A oferta, porém, muda ao longo do ano conforme a época de produção.
Essa diversidade também aparece no Chamamento Público nº 003/2025, que rege a aquisição. O documento prevê a compra de gêneros diretamente da agricultura familiar para atendimento ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), com contrato de um ano. A lista contempla frutas e hortaliças convencionais e orgânicas, além de polpas de frutas, vegetais minimamente processados e alguns produtos processados.
Somados todos os grupos previstos no edital, o valor estimado da chamada pública chega a R$ 1,36 milhão. Entre os itens estão variedades de banana, abacate, abacaxi, mamão, morango, alfaces, batatas, cenoura, beterraba, brócolis, tomate, mandioca, palmito pupunha e outros alimentos.
Compra pública abre mercado para pequenos produtores
A contratação ocorre por meio de chamada pública específica para a agricultura familiar. O edital permite a participação de agricultores individualmente, grupos informais e grupos formalizados, como associações e cooperativas.
Os agricultores relacionados no projeto de venda precisam efetivamente produzir os alimentos que serão fornecidos. A lógica cria uma ligação direta entre a política de alimentação escolar e a atividade econômica das famílias do campo.
No caso da COPRULI, são dezenas de famílias inseridas nessa conexão entre aquilo que conseguem produzir e a demanda da Secretaria de Educação, segundo Rodrigo.
O próprio processo de seleção previsto no chamamento considera a origem dos fornecedores. Os projetos habilitados são divididos entre fornecedores locais, do território rural, do Estado e de outras partes do país, com prioridade para o grupo local.
Na prática, a compra pública ajuda a transformar a demanda permanente das escolas em mercado para pequenos agricultores. Para quem produz, representa previsibilidade de comercialização. Para a rede de ensino, abre a possibilidade de incorporar ao cardápio alimentos frescos e ligados à produção regional.
O trabalho não termina quando o alimento deixa a propriedade. Os produtos são concentrados na estrutura da COPRULI e, de lá, encaminhados às escolas.
“Os produtos da agricultura familiar chegam sempre com excelente qualidade. Os produtores têm muito cuidado com o cultivo e com o transporte dos alimentos, e a estrutura da cooperativa também contribui para manter esse padrão”, conclui Fontanelli.
Fonte: Portal da Cidade Guaratuba
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