OBRAS E DRENAGEM
Por que três quilômetros de obras custam R$ 21 milhões em Guaratuba?
Secretário detalha os custos da pavimentação e explica que drenagem chega a custar R$ 4 milhões por quilômetro
Publicado em
01/09/2026 às 17:24
Atualizado em
O anúncio de R$ 73 milhões em obras de infraestrutura criou a expectativa de que diferentes ruas de Guaratuba receberiam asfalto. No entanto, segundo o secretário municipal de Urbanismo e Meio Ambiente, Vilmar Faria Silva, o programa estadual “Asfalto Novo, Vida Nova”, que financia os projetos, não permite que os recursos sejam utilizados em qualquer via: somente ruas de terra ou areia podem ser incluídas. Além disso, uma parcela significativa do investimento ficará abaixo do solo, na construção de estruturas de drenagem para ampliar o escoamento da água da chuva.
Leia mais: Guaratuba assina ordem de R$ 21,5 milhões para asfalto em 4 bairros
Os critérios e os custos das intervenções foram detalhados pelo secretário nesta terça-feira (1), em entrevista à rádio Alternativa FM. Segundo ele, um dos lotes reúne oito ruas, totaliza aproximadamente três quilômetros e está orçado em cerca de R$ 21 milhões. A diferença entre a extensão e o valor se explica principalmente pela drenagem, que, em determinados pontos, custa quase o dobro da pavimentação.
Na Avenida Rui Barbosa, por exemplo, o custo estimado da drenagem chega a R$ 4 milhões por quilômetro. Já a pavimentação propriamente dita representa aproximadamente R$ 2,2 milhões por quilômetro.
O valor atribuído ao asfalto não considera somente a camada visível na superfície. O serviço envolve a retirada de solo mole, terraplanagem, implantação de sub-base e base, revestimento asfáltico e capa de rolamento. Os contratos também incluem calçadas, acessibilidade, sinalização e urbanização.
“A pavimentação não é apenas a camada de asfalto. É necessário retirar o solo inadequado, preparar toda a estrutura da via e garantir que a água tenha por onde escoar. Sem drenagem, o pavimento perde durabilidade e os alagamentos permanecem”, explica Silva.
Por que ruas com blocos ficaram de fora?
Outra dúvida levantada pelos moradores é por que vias com blocos de concreto ou paralelepípedos deteriorados não foram contempladas. De acordo com o secretário, a exclusão decorre das regras do Asfalto Novo, Vida Nova, que determina a aplicação dos recursos exclusivamente em vias de leito natural.
“O programa só pode ser utilizado em leito natural. Isso significa que a rua não pode ter nenhum tipo de revestimento. Se já tiver blocos ou paralelepípedos, fica fora deste pacote específico de investimentos”, esclarece o secretário.
Mesmo que o pavimento existente esteja deteriorado, a presença de qualquer revestimento impede o uso dos recursos desse programa. Dessa forma, a Prefeitura não pode retirar os blocos e classificar novamente a rua como via de leito natural para incluí-la no convênio.
Para atender essas regiões, a Secretaria de Urbanismo elaborou projetos específicos de recapeamento. Segundo Farias, aproximadamente R$ 36 milhões em propostas adicionais foram protocolados e aguardam análise técnica do Paranacidade. Os projetos são destinados a ruas que já possuem pavimento intertravado ou sextavado e, por isso, não poderiam fazer parte do pacote de R$ 73 milhões.
Estruturas subterrâneas concentram investimento
Nos trechos com maior concentração de água, os projetos preveem galerias formadas por aduelas de concreto armado, também chamadas de bueiros celulares. Diferentemente das manilhas circulares convencionais, as estruturas têm formato retangular, maior área interna e capacidade para receber volumes mais elevados de água.
Leia mais: Guaratuba aposta em “obras estruturantes” para ligar bairros com novos corredores viários
Segundo o secretário, intervenções anteriores utilizavam manilhas de aproximadamente um metro de diâmetro, principalmente nas travessias das ruas. Em áreas críticas, essa solução não seria suficiente para atender ao volume de água acumulado nos períodos de chuva intensa.
“Não se trata apenas de colocar uma manilha na travessia da rua. As aduelas possuem uma capacidade de vazão muito maior e foram dimensionadas para os volumes de água que chegam a esses pontos”, afirma.
Como as galerias ficam enterradas, a maior parte do investimento não será percebida visualmente depois da conclusão. Silva argumenta, porém, que a drenagem é necessária tanto para reduzir alagamentos quanto para preservar o pavimento.
“Essa é uma estrutura que não aparece depois que a obra fica pronta, mas é o que garante a eficiência do sistema. Vamos executar uma extensão menor do que seria possível com uma intervenção apenas superficial, porém com estruturas adequadas nas principais vias coletoras”, diz.
Prioridade para corredores entre bairros
A escolha das ruas também considera a formação de corredores de circulação entre os bairros. A proposta da Prefeitura é concentrar os investimentos em vias coletoras, utilizadas para conectar diferentes regiões da cidade, em vez de distribuir pequenos trechos sem continuidade.
Entre as vias previstas nos projetos estão trechos das avenidas Rui Barbosa, Araucária, Guanabara e Santa Catarina. As intervenções incluem pavimentação, drenagem, calçadas, acessibilidade, urbanização e sinalização.
Dos aproximadamente R$ 73 milhões conveniados, o primeiro lote, de R$ 21.551.453, já recebeu Ordem de Serviço e contempla vias dos bairros Mirim, Piçarras, Carvoeiro e Caieiras. Os demais lotes seguem em diferentes etapas administrativas e somente poderão começar após a conclusão dos trâmites e a liberação das respectivas ordens de serviço.
Fonte: Portal da Cidade Guaratuba
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