Polêmica necessária
Moradores criticam projeto na praia em área próxima ao Morro do Cristo
Instalação de molhe de pedras é vista como desnecessária e pode afetar um dos trechos mais seguros para banhistas em Guaratuba
Publicado em
14/05/2025 às 14:01
Atualizado em
A proposta apresentada pelo Instituto Água e Terra (IAT) para a recuperação da orla de Guaratuba, com custo estimado de R$ 247 milhões, recebeu fortes críticas durante audiência pública realizada na noite de terça-feira (13).
Embora a engorda da faixa de areia tenha sido bem aceita, as estruturas marítimas previstas na alternativa defendida pelo IAT foram duramente questionadas pela população.
A maior contestação recai sobre a instalação de um guia-corrente ao lado do Morro do Cristo, solução considerada no projeto como a Alternativa A.
Essa estrutura, segundo os técnicos, serviria para conter a areia trazida pela engorda e também como acesso para embarcações, incluindo as dos pescadores locais.
No entanto, moradores, pescadores, surfistas e uma guarda-vidas veterana denunciaram os impactos negativos, como a alteração da paisagem mais emblemática da cidade, ameaça à pesca artesanal, interferência nas ondas utilizadas para o surf e riscos ao ecossistema, especialmente à fauna marinha, como as tartarugas.
Outras opções constam no estudo, mas não são a prioridade do governo estadual. A Alternativa B propõe dois guias correntes mais ao norte, um na desembocadura do rio Brejatuba e outro na Praia Central.
Já a Alternativa C prevê apenas dois espigões, sem guias correntes. Apesar dessas alternativas, a mais criticada foi justamente a que o IAT vem defendendo como a preferencial.
As críticas também se voltaram ao espigão previsto para a comunidade de Caieiras, onde há décadas funciona um porto utilizado por pescadores artesanais, e às grandes intervenções projetadas para a Prainha.
Moradores chegaram a protocolar documentos com pareceres técnicos de especialistas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), alertando para riscos de “danos irreversíveis” ao ambiente costeiro.
Durante a audiência, o comunicador Emerson Miranda, da TV Guaratuba, deu voz ao sentimento da comunidade ao questionar diretamente os representantes do IAT: “Qual dessas opções que vocês apresentaram vai ser escolhida e se o povo de Guaratuba vai poder fazer isso também (escolher)?” A pergunta resumiu a insatisfação popular com a falta de participação efetiva na definição do projeto.
Além das questões ambientais e urbanísticas, moradores também levantaram dúvidas sobre a prioridade da obra em relação a outras necessidades da cidade.
A professora Ligia Klein, integrante do movimento Escola de Rua, criticou a ausência de escuta às comunidades periféricas: “Quem definiu a prioridade desse empreendimento, a quem ele interessa? Não é ao meu povo, lá da Cohapar, lá do Mirim, do Carvoeiro. A essa gente não interessa”, afirmou.
Após os questionamentos, o IAT se comprometeu a realizar novas reuniões e a analisar todas as manifestações feitas presencialmente, pelo chat e por escrito.
Ainda assim, persiste o temor de que a escolha já esteja definida, sem que a população tenha voz real sobre as decisões que podem transformar, para sempre, a paisagem e a vida na cidade.
Fonte: Correio do Litoral
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