CAPACITAÇÃO
Psicólogas de Guaratuba recebem capacitação para atuar em emergências e desastres
Formação prepara profissionais da rede municipal para organizar o acolhimento e reduzir os impactos psicossociais de eventos críticos
Publicado em 08/09/2026 às 16:14
Diante de uma situação de desastre, o impacto sobre as pessoas não termina com a perda de uma casa, de bens materiais ou de entes e amigos. O rompimento da rotina, dos vínculos e da sensação de segurança também exige acolhimento especializado. Para preparar a rede pública de Guaratuba para esse atendimento, quatro psicólogas da Secretaria Municipal da Saúde participaram, durante o mês de agosto, em Curitiba, de uma capacitação sobre atuação profissional em emergências e desastres.
Promovido pela Comissão de Crises, Emergências e Desastres do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR), o curso reuniu atividades teóricas e práticas, estudos de caso, discussões sobre protocolos e uma simulação de atendimento. Participaram da formação as psicólogas Simone Muller, Letícia Hrentchechen, Denise Gaedke e Camila Dias.
A capacitação integra o Plano de Contingência da Secretaria Municipal da Saúde e busca preparar a rede pública para oferecer uma resposta organizada diante de desastres naturais, acidentes tecnológicos, emergências sanitárias, crises humanitárias e outros eventos críticos.
Entre os conteúdos abordados estiveram os Primeiros Socorros Psicológicos (PSP), a comunicação em situações críticas, o autocuidado dos profissionais e os aspectos técnicos e éticos envolvidos no atendimento às populações atingidas.
Segundo a psicóloga Simone Muller, integrante da Comissão de Psicologia de Crises, Emergências e Desastres do CRP-PR, a maior frequência de eventos climáticos extremos e de outras situações críticas reforça a necessidade de preparação antes que uma emergência aconteça.
“A atuação da Psicologia nesses cenários exige conhecimentos específicos, capacidade de avaliação e integração com os demais profissionais e serviços envolvidos. Mais do que prestar atendimento durante a crise, é necessário conhecer a rede de proteção, estabelecer fluxos e participar da elaboração dos planos de contingência”, diz Simone.
Perdas ultrapassam os danos materiais
Em um desastre, as pessoas atingidas podem enfrentar não apenas a perda de familiares, moradias e bens materiais, mas também o rompimento de vínculos, rotinas e referências comunitárias. A sensação de segurança e os projetos de vida igualmente podem ser afetados.
Por isso, conforme abordado durante a capacitação, a resposta não deve ficar restrita ao atendimento psicológico individual. O acolhimento exige articulação entre diferentes serviços, profissionais e políticas públicas, de acordo com as necessidades identificadas em cada comunidade.
Os conhecimentos adquiridos poderão auxiliar as profissionais de Guaratuba a organizar o acolhimento das pessoas atingidas, orientar familiares, apoiar trabalhadores mobilizados durante as ocorrências e identificar casos que necessitem de acompanhamento posterior.
Escuta deve respeitar o tempo de cada pessoa
“Um dos pontos trabalhados no curso foi a necessidade de evitar abordagens que possam ampliar o sofrimento. Oferecer apoio psicológico não significa obrigar ou estimular uma pessoa a relatar imediatamente aquilo que vivenciou. A intervenção deve respeitar o silêncio, o tempo e a maneira como cada indivíduo compreende o acontecimento”, explica Simone.
Também cabe aos profissionais evitar falsas garantias, trabalhar com informações verificadas sobre o cenário e os serviços disponíveis e respeitar as práticas culturais, espirituais e religiosas utilizadas pelas comunidades como formas de enfrentamento.
Nesse contexto, os Primeiros Socorros Psicológicos oferecem uma abordagem humana e prática para auxiliar pessoas expostas a situações potencialmente traumáticas, considerando suas necessidades mais imediatas e os recursos disponíveis.
“A capacitação reforçou a importância do preparo, da organização, da comunicação e do trabalho em equipe diante de situações inesperadas. Também foi muito significativo refletir sobre os impactos emocionais e sociais dos desastres e sobre o papel da Psicologia no acolhimento e no cuidado das pessoas nesses momentos. Sentimo-nos mais preparadas, conscientes e comprometidas com um cuidado humanizado e responsável”, avalia a psicóloga Letícia Hrentchechen.
Fonte: Portal da Cidade Guaratuba
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